Em 7 de junho de 2014, no Hotel Grand Hyatt em São Paulo, alguns dias antes do início da Copa do Mundo de 2014, o Comtê Executivo da FIFA se reuniu para deliberar sobre 4 assuntos:

Um destes assuntos como está descrito acima era confirmar a requisição da CBF para reconhecer a Copa RIo 1951 vencido pelo Palmeiras como uma competição de clubes mundial.

A ata anexa em PDF, com tradução juranmentada pelo amigo Vittorio Pescosolido, descreve a reunião.

Clique aqui e baixe o anexo em inglês e com tradução em português para ler.

Fonte: Yutube Ranking de Clubes Brasileiros

O vídeo mais elucidativo já produzido sobre a chamada Copa Rio de 1951. Com imagens e documentos inéditos, o jornalista Felipe Virolli faz uma viagem no tempo, e explica cronologicamente como foi a concepção do primeiro torneio mundial de clubes da história, dirimindo diversas dúvidas que os torcedores – palmeirenses ou não – têm sobre o assunto.

Durante todo o período de pesquisa e trabalho referente à Copa Rio, Felipe Virolli sempre que necessário fez contato com o renomado jornalista Claudio Carsughi, que foi testemunha ocular do torneio.

Trazemos no 3VV essa coletânea, com importantes opiniões de Carsughi, que vivenciou e cobriu jornalisticamente a competição, e que tem muita propriedade para falar sobre o assunto:

Entrevista de Felipe Virolli com Claudio Carsughi.

Felipe Virolli (FV): Você cobriu a Copa Rio em 1951. Qual a sua opinião sobre aquela competição, vencida pelo Palmeiras?

Cláudio Carsughi (CC): A história é longa, mas vou tentar resumi-la ao máximo. Após a Copa do Mundo de 1950, os dirigentes entenderam que era necessário organizar um grande torneio de clubes, de forma a apagar da memória dos torcedores, parte da enorme decepção sofrida na inesperada derrota frente ao Uruguai. A idéia ganhou de imediato total apoio da FIFA, através da ação direta de seu vice-presidente, o italiano OttorinoBarassi, que até mesmo se dispôs a vir ao Brasil várias vezes para conferir à chamada “Copa Rio” um cunho oficial.

Assim foi criada essa competição, que contou com a participação de vários dos melhores clubes europeus, e que foi denominada “Torneio dos Campeões”.

Na época, a Copa Rio era considerada a “Copa do Mundo de Clubes” ou não tinha a mesma importância que tem hoje o atual “Mundial da FIFA”?

Valia o mesmo título de “campeão do mundo”, mas em minha opinião, a Copa Rio era muito mais importante na época do que é hoje o atual Mundial de Clubes da FIFA, que se resume ao jogo final.

FV: E o título do Fluminense, na segunda edição da Copa Rio, teve o mesmo valor que o título do Palmeiras?

CC: A segunda edição da Copa Rio não teve o mesmo impacto, importância e dimensão da primeira, ficando muito longe dela em todos os aspectos, até mesmo pelo menor nível técnico dos participantes.

FV: Mas na época em o clube carioca foi campeão, como a imprensa classificou o título?  Atribuiu o mesmo “rótulo” de campeão mundial do Palmeiras ou os diferenciava?

CC: Ocorreu uma certa divisão. A imprensa paulista não lhe deu a mesma importância, mas a carioca, sim. O que é claramente explicável pela rivalidade regional existente no Brasil.

FV: Mas o que o correspondente Cláudio Carsughi, do diário italiano “Corriere dello Sport” escreveu (ou escreveria) sobre o título do Fluminense?

CC: A imprensa italiana não deu grande importância à Copa Rio de 1952, considerando-a um torneio de segunda categoria, não comparável, de forma alguma, à primeira edição, que tinha sido considerada quase como uma revanche da Copa do Mundo, e que permitira ao público brasileiro sair da fase de profunda decepção, ocasionada pelo desfecho de 1950.  Paralelamente, o vice-presidente da FIFA, o italiano Ottorino Barassi, que muito tinha se empenhado para o sucesso da Copa Rio de 1951, praticamente não mexeu uma palha na segunda edição.

FV: Embora parte da imprensa ignore esse fato, o Palmeiras é reconhecido pela FIFA (desde 2014) como campeão mundial. Você é favorável a esse reconhecimento?

Claro. Na época, nenhum dirigente do Palmeiras se preocupou em dar prosseguimento às negociações com a FIFA para oficializar de vez o valor da conquista, entendendo que o título de “campeão do mundo” informalmente dado lhe seria suficiente. E isso teria sido muito fácil, exatamente pela presença de Ottorino Barassi como vice-presidente da FIFA.

FV: E o Fluminense, por ter vencido a segunda edição da Copa Rio, não merece o mesmo reconhecimento da entidade máxima do futebol?

CC: A questão é discutível. A competição foi repetida, mas já sem o apoio da FIFA, e a coisa acabou por aí. Não seria nenhum absurdo, mas certo é que foi muito maior a importância da primeira Copa Rio do que a da segunda. A partir daí, cada qual pode tirar suas próprias conclusões.

FV: Outro campeonato bastante polêmico é o Mundial da FIFA de 2000, conquistado pelo Corinthians. Você acha que podemos compará-lo à Copa Rio?

CC: Não resta dúvida que a Copa Rio foi a semente daquele torneio que, muitas décadas depois, a FIFA organizou no Rio de Janeiro, em 2000. Mas que me desculpem os torcedores corinthianos, mas não dá para comparar aquele torneio com a Copa Rio, especialmente a de 1951.

A Copa Rio foi realmente uma coisa séria, onde todos vieram para jogar futebol e tentar obter o melhor resultado. Não tem nenhuma comparação.