Por Felipe Virolli

Nota do editor: este texto faz parte de uma série de 5 posts contando a história da Copa Rio 51, desde a sua concepção até sua realização, seus principais atores, o contexto histórico, a organização, convites a clubes internacionais e repercussão na época. É um trabalho coordenado pelo jornalista Felipe Virolli que compilou diferentes informações até chegar ao seu final.
Aproveitem!

Para entendermos o que foi a chamada Copa Rio de 1951, cujo nome oficial é TORNEIO INTERNACIONAL DE CLUBES CAMPEÕES, vamos primeiro buscar entender o contexto do futebol e do mundo naquele tempo, organizando os fatos a partir de 1930.

A tradicional Copa do Mundo que conhecemos, disputada por seleções a cada quatro anos, teve início em 1930, no Uruguai. Naquela época, ainda não existiam as chamadas “eliminatórias”. Pelo contrário. Qualquer país filiado à FIFA estava convidado a participar, mas devido às dificuldades da época para se fazer viagens intercontinentais, apenas 13 equipes participaram, sendo sete da América do Sul, quatro da Europa e duas da América do Norte. Ou seja, Copa do Mundo de Futebol por convite, sem eliminatórias e sem participantes de todo o mundo.

Já na Copa seguinte, em 1934, disputada na Itália, ocorreu o inverso de participação: das 16 equipes que disputaram a competição, 12 eram da Europa, duas da América do Sul, uma da América do Norte e uma da África. O Uruguai, campeão em 1930, não quis defender seu título em solo europeu, devido à baixa participação dos países daquele continente na edição realizada em seu país.  

Sobre as “Eliminatórias”, que passaram a existir a partir dessa edição (de 1934), precisamos destacar que seleções classificadas acabavam desistindo da disputa. E até mesmo seleções que haviam sido “eliminadas” acabavam convidadas posteriormente para repor as ausências, e mesmo assim, em alguns casos, acabavam recusando o convite.

Isso fez com que a Copa de 1938, disputada na França, ocorresse com apenas 15 participantes (um a menos que na edição anterior), sendo Brasil e Cuba os únicos representantes das Américas no torneio. E isso por conta da desistência (ou boicote) de outras seleções, que sequer disputaram a vaga nas eliminatórias.

O Brasil, por exemplo, enfrentaria a Argentina pelas Eliminatórias da Copa. Mas os hermanos resolveram “boicotar” a competição, e o Brasil se classificou para a Copa automaticamente, sem precisar jogar.

Situação inimaginável para os dias de hoje, não é mesmo? E estamos falando já da terceira edição de uma Copa do Mundo da FIFA.

Outra grande dificuldade da época foi a chamada Segunda Guerra Mundial, que aconteceu de 1939 a 1945, e deixou boa parte do planeta em ruínas, inviabilizando duas edições da Copa do Mundo da FIFA (previstas para 1942 e 1946).

Durante esse período da guerra, a taça mais cobiçada do mundo ficou na casa de um dirigente italiano e membro da FIFA: Otorino Barassi. Guarde bem esse nome.

Com o fim da guerra, a FIFA queria retomar o quanto antes a disputa da sua competição, embora muitos governos entendessem que o cenário internacional não estivesse favorável para uma celebração esportiva desse porte.

Apesar das dificuldades, em 1946 a FIFA encontrou um candidato para sediar seu evento: o Brasil, que através da Prefeitura do Rio de Janeiro ergueu o maior estádio do mundo da época, o Maracanã, que teve como grande entusiasta o jornalista Mário Filho (guarde bem esse outro nome).

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