Por Felipe Virolli

Não tem como falar sobre a Copa Rio e não mencionar alguns fatos curiosos sobre a Copa do Mundo ocorrida no Brasil. Uma está intimamente ligada à outra, e tiveram dificuldades muito parecidas.

Para se ter uma ideia, a Copa do Mundo de 1950 estava prevista para ser disputada por 16 equipes, mas apenas 13 acabaram participando.

Portugal, que era uma das seleções que não havia se classificado nas “Eliminatórias” foi convidada a repor uma das ausências, e mesmo assim recusou o convite. E isso não aconteceu apenas com Portugal, e nem apenas nessa edição.

Isso fez com que os grupos A e B da Copa do Mundo de 1950 tivessem quatro equipes (com cada uma delas realizando três jogos), o grupo C tivesse três equipes (com cada uma realizando dois jogos), e o grupo D com apenas duas equipes (que fizeram apenas um jogo na primeira fase).

Curiosamente, o Uruguai – que acabou se tornando o campeão – estava no grupo D, e classificou-se para o quadrangular final da Copa do Mundo fazendo apenas um jogo – contra a fraca seleção da Bolívia -, enquanto o Brasil, por exemplo, fez o triplo de jogos – e diante de seleções muito mais fortes.

Regulamento bizarro, não é? E estamos falando de uma Copa do Mundo da FIFA, já em sua quarta edição, e realizada apenas um ano antes, e no mesmo país-sede da Copa Rio. Por isso é tão importante compararmos essas competições próximas, para entendermos o contexto de como eram disputadas as grandes competições naquele tempo.

E apesar de tudo isso, com os regulamentos e os formatos de disputa bem diferentes da atual Copa do Mundo que conhecemos , os dois títulos mundiais do Uruguai são indiscutíveis. Ou você vê alguém por aí gritando que “O Uruguai não tem Mundial”?

Aliás, as taças que o Uruguai têm também não são iguais a atual. Eles têm duas taças “Jules Rimet”. E o Brasil tem três. Inclusive, o Brasil ficou com a posse definitiva desse troféu ao vencê-lo pela terceira vez, em 1970. Mas sabe o que aconteceu? O troféu acabou sendo roubado. Porém, independentemente da taça ou do nome da taça, os títulos valem a mesmíssima coisa em termos históricos. E é exatamente isso que deve ser avaliado.

Assim sendo, fica claro que a chamada Copa Rio foi criada com o objetivo de ser a “primeira copa do mundo de clubes” da história do futebol. E Isso não quer dizer que foi uma competição que não teve nenhum problema ou nenhuma recusa. Apesar de todo esforço dos dirigentes europeus e membros da FIFA, tais como Ottorino Barassi e Stanley Rouss, clubes campeões da Inglaterra, Espanha e Escócia, que estavam cotados para jogar o torneio de nível mundial no Brasil, acabaram desistindo.

Como já pudemos observar, nem todas as equipes estavam dispostas a atravessar o mundo para jogar futebol. Mas de fato, a Copa Rio era a competição entre clubes que dava ao seu vencedor o título de campeão mundial. Aliás, a única competição daquele tempo que dava ao seu vencedor esse titulo. E os problemas enfrentados pela Copa Rio, como podemos ver, eram muito semelhantes aos problemas que afetavam as Copas do Mundo de seleções.

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