Por Felipe Virolli

O jornalista Mário Filho foi um dos principais entusiastas do Estádio do Maracanã, e um dos principais defensores da idéia de que o local deveria ser “o maior do mundo” para a prática do esporte. Até por esse motivo o nome do estádio (Jornalista Mário Filho) é uma mais do que justa homenagem. Não fosse por Mario Filho, e talvez o Maracanã não fosse do tamanho e do jeito que conhecemos, como um verdadeiro “Templo do Futebol”.

A intenção do jornalista- que escrevia exaustivamente sobre o tema no Jornal dos Sports – era fazer do Brasil, e mais especificamente do Rio de Janeiro, a “capital mundial do futebol”.

Com a Europa ainda se recuperando da guerra, e com o trunfo do Maracanã ser “o maior estádio do mundo”, além dos recordes de arrecadação na Copa do Mundo, sua idéia de formular uma espécie de “Copa do Mundo de Clubes” imediatamente ganhou o apoio dos principais dirigentes do futebol mundial e também da Prefeitura do Rio de Janeiro, que viu a oportunidade da cidade continuar sediando grandes eventos de repercussão internacional após a Copa de 1950.

Como não se sabia quando surgiria algum estádio que pudesse “rivalizar” com o Maracanã – além da ideia ter partido de um jornalista brasileiro -, durante as negociações para a elaboração e formatação do campeonato, a CBD usou tudo isso a seu favor e convenceu os dirigentes da FIFA a lhe concederem autorização para ser uma espécie de “organizadora oficial do mundial de clubes” – não apenas da primeira edição, como era inicialmente esperado -, praticamente lhe garantindo exclusividade nesse tipo de competição enquanto quisesse continuar realizando o evento, que passou a ser previsto em regulamento para ser disputado de dois em dois ou de quatro em quatro anos.

Portanto, enquanto a FIFA focava os seus esforços em melhorias para a sua já consagrada – e agora muito lucrativa – Copa do Mundo de seleções, deixava o mundial de clubes autorizado a ser promovido pela sua “grande parceira”, a CBD – como se fosse um “presente” ou “retribuição” para o Brasil, que colaborou efetivamente para uma mudança de patamar financeiro da entidade máxima do futebol. Inclusive, o fato da FIFA passar a desejar ter uma sede-própria luxuosa tem uma íntima ligação com a Copa realizada no Brasil, que foi um evento sem precedentes para a história financeira da entidade.

Com isso, não pensava-se mais, a partir daquele momento, na possibilidade de se fazer um “rodízio” de sedes, como acontecia no mundial de seleções – embora países como Itália e Inglaterra tenham manifestado publicamente o desejo de sediar futuras edições da competição.

Assim sendo, o plano dos organizadores e demais membros envolvidos passou a considerar que a “capital mundial do futebol” patrocinaria e sediaria todas as edições dos mundiais de clubes – da mesma forma que vimos acontecer anos mais tarde na chamada “Copa Intercontinental”, que foi disputada exclusivamente no Japão, de 1980 a 2004.

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