Por Felipe Virolli

Em matéria de 5 de agosto de 1950, do Jornal dos Sports, o jornalista Geraldo Romualdo da Silva relata como surgiu a ideia de uma competição mundial entre clubes, antes mesmo da realização da Copa do Mundo no Brasil: num fim de tarde, dentro de um automóvel, no percurso que liga o centro da cidade do Rio de Janeiro a Copacabana, dois dias antes do desembarque do primeiro contingente da embaixada espanhola.

Mario Filho foi quem teve a idéia repentinamente. Ricardo Serran, Mario Julio Rodrigues e o próprio Geraldo Romualdo da Silva testemunharam e participaram dessa primeira conversa. Combinaram que nada divulgariam sobre o assunto, até que apresentassem a ideia aos dirigentes do futebol mundial. E assim foi feito.

Dias depois, ainda antes do início da Copa do Mundo, o Departamento de Imprensa Esportiva, da Associação Brasileira de Imprensa, juntamente com a CBD, realizaram um evento no último andar da “Casa do Jornalista”, onde recepcionaram as delegações estrangeiras, dirigentes e jornalistas. E foi nessa ocasião que Mario Filho expôs “publicamente” seu plano, que contou com o imediato apoio e entusiasmo de todos os presentes, especialmente de Ottorino Barassi, que deixou o assunto em seu radar para ser discutido com mais ênfase após o mundial de seleções.

Embora o Brasil tenha perdido a chance de se sagrar campeão mundial na Copa de 50, ao perder o título para o Uruguai na última rodada do quadrangular final, a Copa do Mundo em solo brasileiro foi um sucesso, especialmente financeiro.

Isso fez com a ideia da realização do torneio interclubes voltasse à tona com muita força. Antes mesmo dos dirigentes retornarem aos seus países, foram realizados mais alguns jantares e encontros para costurar todos os detalhes dessa nova competição, sempre mencionada pelos envolvidos como “Campeonato Mundial de Clubes”.

O jornal “A Gazeta Esportiva” também fez ampla cobertura desses encontros, que definiram os membros participantes da chamada “Comissão Diretora do Primeiro Torneio Internacional de Futebol”, que seria coordenada por ninguém mais, ninguém menos que Ottorino Barassi (lembra dele?).

Barassi era secretário-geral da FIFA, onde chegou a ser vice-presidente na época, e também foi presidente da Federação Italiana de Futebol. Além disso, o italiano também exerceu um papel importante na fundação da poderosa confederação européia de futebol, nada mais nada menos que a (UEFA).

O nome popular pelo qual a competição ficou conhecida (Copa Rio) também foi sugestão de Barassi, que em um desses encontros disse: “Já tenho um nome para o Campeonato Mundial de Clubes: Copa Rio de Janeiro. Aliás, Copa Rio. Mais simples, mais popular. Pegará depressa. O Rio ganhou esse direito de tornar-se sede de um Campeonato Mundial de Clubes. O Rio e o Brasil, pois deram o mais elevado exemplo e a mais elevada prova de dignidade esportiva.”

Ainda sobre a nomenclatura, vale destacar que o nome oficial ficou definido como “Torneio Internacional de Clubes Campeões”, e o nome de “Copa Rio”, como sugerido por Barassi, foi o nome do troféu, também como forma de homenagear a Prefeitura do Rio de Janeiro, uma das patrocinadoras do evento.

Aliás, a competição só não se chamou oficialmente de “Torneio Mundial de Clubes Campeões” – como era a intenção de parte dos organizadores – para se evitar qualquer tipo de confusão com a Copa do Mundo de seleções, também conhecida como “Campeonato Mundial de Futebol” – inclusive, a expressão “Campeonato do Mundo de Football” e suas variações já eram de propriedade da FIFA desde aquela época, e ficavam reservadas exclusivamente à disputa da “Taça Jules Rimet”, como era popularmente conhecida a Copa do Mundo.

Ainda em agosto de 1950, antes mesmo de regressar à Itália, Barassi já havia deixado tudo encaminhado para que a competição fosse disputada entre Junho e Julho de 1951, com quatro clubes europeus e quatro sul-americanos, sendo dois deles brasileiros, os campeões estaduais de Rio de Janeiro e São Paulo.

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