Fonte: palmeiras.com.br

O dia 22 de julho é, sem dúvida, um dos mais importantes da história da Sociedade Esportiva Palmeiras e do futebol brasileiro. Há exatos 70 anos, o Brasil e o mundo conheciam o primeiro clube campeão mundial, após o Palmeiras superar a Juventus-ITA e conquistar o Torneio Internacional de Clubes Campeões, em um Maracanã lotado.

Em comemoração ao momento histórico, o Palmeiras lança nesta quinta-feira (22) uma campanha que homenageia o título, considerado o primeiro mundial interclubes e que trouxe de volta ao Brasil e aos brasileiros a alegria do futebol depois da derrota na final da Copa do Mundo de 1950 para o Uruguai. Um vídeo, narrado pelo ator e palmeirense Jayme Matarazzo, foi lançado como marco das homenagens à conquista mais importante da história do Palmeiras.

Por Felipe Virolli

Nota do editor: este texto faz parte de uma série de 5 posts contando a história da Copa Rio 51, desde a sua concepção até sua realização, seus principais atores, o contexto histórico, a organização, convites a clubes internacionais e repercussão na época. É um trabalho coordenado pelo jornalista Felipe Virolli que compilou diferentes informações até chegar ao seu final.
Aproveitem!

Para entendermos o que foi a chamada Copa Rio de 1951, cujo nome oficial é TORNEIO INTERNACIONAL DE CLUBES CAMPEÕES, vamos primeiro buscar entender o contexto do futebol e do mundo naquele tempo, organizando os fatos a partir de 1930.

A tradicional Copa do Mundo que conhecemos, disputada por seleções a cada quatro anos, teve início em 1930, no Uruguai. Naquela época, ainda não existiam as chamadas “eliminatórias”. Pelo contrário. Qualquer país filiado à FIFA estava convidado a participar, mas devido às dificuldades da época para se fazer viagens intercontinentais, apenas 13 equipes participaram, sendo sete da América do Sul, quatro da Europa e duas da América do Norte. Ou seja, Copa do Mundo de Futebol por convite, sem eliminatórias e sem participantes de todo o mundo.

Já na Copa seguinte, em 1934, disputada na Itália, ocorreu o inverso de participação: das 16 equipes que disputaram a competição, 12 eram da Europa, duas da América do Sul, uma da América do Norte e uma da África. O Uruguai, campeão em 1930, não quis defender seu título em solo europeu, devido à baixa participação dos países daquele continente na edição realizada em seu país.  

Sobre as “Eliminatórias”, que passaram a existir a partir dessa edição (de 1934), precisamos destacar que seleções classificadas acabavam desistindo da disputa. E até mesmo seleções que haviam sido “eliminadas” acabavam convidadas posteriormente para repor as ausências, e mesmo assim, em alguns casos, acabavam recusando o convite.

Isso fez com que a Copa de 1938, disputada na França, ocorresse com apenas 15 participantes (um a menos que na edição anterior), sendo Brasil e Cuba os únicos representantes das Américas no torneio. E isso por conta da desistência (ou boicote) de outras seleções, que sequer disputaram a vaga nas eliminatórias.

O Brasil, por exemplo, enfrentaria a Argentina pelas Eliminatórias da Copa. Mas os hermanos resolveram “boicotar” a competição, e o Brasil se classificou para a Copa automaticamente, sem precisar jogar.

Situação inimaginável para os dias de hoje, não é mesmo? E estamos falando já da terceira edição de uma Copa do Mundo da FIFA.

Outra grande dificuldade da época foi a chamada Segunda Guerra Mundial, que aconteceu de 1939 a 1945, e deixou boa parte do planeta em ruínas, inviabilizando duas edições da Copa do Mundo da FIFA (previstas para 1942 e 1946).

Durante esse período da guerra, a taça mais cobiçada do mundo ficou na casa de um dirigente italiano e membro da FIFA: Otorino Barassi. Guarde bem esse nome.

Com o fim da guerra, a FIFA queria retomar o quanto antes a disputa da sua competição, embora muitos governos entendessem que o cenário internacional não estivesse favorável para uma celebração esportiva desse porte.

Apesar das dificuldades, em 1946 a FIFA encontrou um candidato para sediar seu evento: o Brasil, que através da Prefeitura do Rio de Janeiro ergueu o maior estádio do mundo da época, o Maracanã, que teve como grande entusiasta o jornalista Mário Filho (guarde bem esse outro nome).

Por Felipe Virolli

Em matéria de 5 de agosto de 1950, do Jornal dos Sports, o jornalista Geraldo Romualdo da Silva relata como surgiu a ideia de uma competição mundial entre clubes, antes mesmo da realização da Copa do Mundo no Brasil: num fim de tarde, dentro de um automóvel, no percurso que liga o centro da cidade do Rio de Janeiro a Copacabana, dois dias antes do desembarque do primeiro contingente da embaixada espanhola.

Mario Filho foi quem teve a idéia repentinamente. Ricardo Serran, Mario Julio Rodrigues e o próprio Geraldo Romualdo da Silva testemunharam e participaram dessa primeira conversa. Combinaram que nada divulgariam sobre o assunto, até que apresentassem a ideia aos dirigentes do futebol mundial. E assim foi feito.

Dias depois, ainda antes do início da Copa do Mundo, o Departamento de Imprensa Esportiva, da Associação Brasileira de Imprensa, juntamente com a CBD, realizaram um evento no último andar da “Casa do Jornalista”, onde recepcionaram as delegações estrangeiras, dirigentes e jornalistas. E foi nessa ocasião que Mario Filho expôs “publicamente” seu plano, que contou com o imediato apoio e entusiasmo de todos os presentes, especialmente de Ottorino Barassi, que deixou o assunto em seu radar para ser discutido com mais ênfase após o mundial de seleções.

Embora o Brasil tenha perdido a chance de se sagrar campeão mundial na Copa de 50, ao perder o título para o Uruguai na última rodada do quadrangular final, a Copa do Mundo em solo brasileiro foi um sucesso, especialmente financeiro.

Isso fez com a ideia da realização do torneio interclubes voltasse à tona com muita força. Antes mesmo dos dirigentes retornarem aos seus países, foram realizados mais alguns jantares e encontros para costurar todos os detalhes dessa nova competição, sempre mencionada pelos envolvidos como “Campeonato Mundial de Clubes”.

O jornal “A Gazeta Esportiva” também fez ampla cobertura desses encontros, que definiram os membros participantes da chamada “Comissão Diretora do Primeiro Torneio Internacional de Futebol”, que seria coordenada por ninguém mais, ninguém menos que Ottorino Barassi (lembra dele?).

Barassi era secretário-geral da FIFA, onde chegou a ser vice-presidente na época, e também foi presidente da Federação Italiana de Futebol. Além disso, o italiano também exerceu um papel importante na fundação da poderosa confederação européia de futebol, nada mais nada menos que a (UEFA).

O nome popular pelo qual a competição ficou conhecida (Copa Rio) também foi sugestão de Barassi, que em um desses encontros disse: “Já tenho um nome para o Campeonato Mundial de Clubes: Copa Rio de Janeiro. Aliás, Copa Rio. Mais simples, mais popular. Pegará depressa. O Rio ganhou esse direito de tornar-se sede de um Campeonato Mundial de Clubes. O Rio e o Brasil, pois deram o mais elevado exemplo e a mais elevada prova de dignidade esportiva.”

Ainda sobre a nomenclatura, vale destacar que o nome oficial ficou definido como “Torneio Internacional de Clubes Campeões”, e o nome de “Copa Rio”, como sugerido por Barassi, foi o nome do troféu, também como forma de homenagear a Prefeitura do Rio de Janeiro, uma das patrocinadoras do evento.

Aliás, a competição só não se chamou oficialmente de “Torneio Mundial de Clubes Campeões” – como era a intenção de parte dos organizadores – para se evitar qualquer tipo de confusão com a Copa do Mundo de seleções, também conhecida como “Campeonato Mundial de Futebol” – inclusive, a expressão “Campeonato do Mundo de Football” e suas variações já eram de propriedade da FIFA desde aquela época, e ficavam reservadas exclusivamente à disputa da “Taça Jules Rimet”, como era popularmente conhecida a Copa do Mundo.

Ainda em agosto de 1950, antes mesmo de regressar à Itália, Barassi já havia deixado tudo encaminhado para que a competição fosse disputada entre Junho e Julho de 1951, com quatro clubes europeus e quatro sul-americanos, sendo dois deles brasileiros, os campeões estaduais de Rio de Janeiro e São Paulo.

Por Felipe Virolli

Como já pudemos observar no capítulo anterior, em agosto de 1950 já estavam definidos que os representantes brasileiros seriam os campeões estaduais de Rio de Janeiro e São Paulo. E ambos os campeonatos estaduais não haviam sequer começado, portanto não houve convite a Vasco da Gama e Palmeiras. As vagas no torneio seriam destinadas aos campeões desses estados, e obviamente poderiam ser outros clubes.

Inclusive, o Palmeiras, que se sagraria campeão mundial, garantiu sua vaga ao faturar o título estadual de 1950 em janeiro de 1951, diante do São Paulo num famoso confronto que ficou conhecido como “O Jogo da Lama”, disputado no Pacaembu.

Outras federações estaduais – especialmente de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul – esboçaram pressionar a CBD para pleitear a chance de disputar essas vagas destinadas aos clubes brasileiros, mas não obtiveram sucesso.

Embora o Brasil ainda não tivesse um Campeonato Nacional de Clubes, existia o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, no qual Rio de Janeiro e São Paulo eram campeão e vice, respectivamente. Sem contar o prestígio – algo subjetivo, mas que também foi levado em consideração – que o futebol desses dois estados gozava na época.

Por conta de tudo isso o plano original foi mantido, e os campeões de Rio de Janeiro e São Paulo foram os representantes brasileiros no torneio de nível mundial.

Por Felipe Virolli

Não tem como falar sobre a Copa Rio e não mencionar alguns fatos curiosos sobre a Copa do Mundo ocorrida no Brasil. Uma está intimamente ligada à outra, e tiveram dificuldades muito parecidas.

Para se ter uma ideia, a Copa do Mundo de 1950 estava prevista para ser disputada por 16 equipes, mas apenas 13 acabaram participando.

Portugal, que era uma das seleções que não havia se classificado nas “Eliminatórias” foi convidada a repor uma das ausências, e mesmo assim recusou o convite. E isso não aconteceu apenas com Portugal, e nem apenas nessa edição.

Isso fez com que os grupos A e B da Copa do Mundo de 1950 tivessem quatro equipes (com cada uma delas realizando três jogos), o grupo C tivesse três equipes (com cada uma realizando dois jogos), e o grupo D com apenas duas equipes (que fizeram apenas um jogo na primeira fase).

Curiosamente, o Uruguai – que acabou se tornando o campeão – estava no grupo D, e classificou-se para o quadrangular final da Copa do Mundo fazendo apenas um jogo – contra a fraca seleção da Bolívia -, enquanto o Brasil, por exemplo, fez o triplo de jogos – e diante de seleções muito mais fortes.

Regulamento bizarro, não é? E estamos falando de uma Copa do Mundo da FIFA, já em sua quarta edição, e realizada apenas um ano antes, e no mesmo país-sede da Copa Rio. Por isso é tão importante compararmos essas competições próximas, para entendermos o contexto de como eram disputadas as grandes competições naquele tempo.

E apesar de tudo isso, com os regulamentos e os formatos de disputa bem diferentes da atual Copa do Mundo que conhecemos , os dois títulos mundiais do Uruguai são indiscutíveis. Ou você vê alguém por aí gritando que “O Uruguai não tem Mundial”?

Aliás, as taças que o Uruguai têm também não são iguais a atual. Eles têm duas taças “Jules Rimet”. E o Brasil tem três. Inclusive, o Brasil ficou com a posse definitiva desse troféu ao vencê-lo pela terceira vez, em 1970. Mas sabe o que aconteceu? O troféu acabou sendo roubado. Porém, independentemente da taça ou do nome da taça, os títulos valem a mesmíssima coisa em termos históricos. E é exatamente isso que deve ser avaliado.

Assim sendo, fica claro que a chamada Copa Rio foi criada com o objetivo de ser a “primeira copa do mundo de clubes” da história do futebol. E Isso não quer dizer que foi uma competição que não teve nenhum problema ou nenhuma recusa. Apesar de todo esforço dos dirigentes europeus e membros da FIFA, tais como Ottorino Barassi e Stanley Rouss, clubes campeões da Inglaterra, Espanha e Escócia, que estavam cotados para jogar o torneio de nível mundial no Brasil, acabaram desistindo.

Como já pudemos observar, nem todas as equipes estavam dispostas a atravessar o mundo para jogar futebol. Mas de fato, a Copa Rio era a competição entre clubes que dava ao seu vencedor o título de campeão mundial. Aliás, a única competição daquele tempo que dava ao seu vencedor esse titulo. E os problemas enfrentados pela Copa Rio, como podemos ver, eram muito semelhantes aos problemas que afetavam as Copas do Mundo de seleções.

Por Felipe Virolli

O jornalista Mário Filho foi um dos principais entusiastas do Estádio do Maracanã, e um dos principais defensores da idéia de que o local deveria ser “o maior do mundo” para a prática do esporte. Até por esse motivo o nome do estádio (Jornalista Mário Filho) é uma mais do que justa homenagem. Não fosse por Mario Filho, e talvez o Maracanã não fosse do tamanho e do jeito que conhecemos, como um verdadeiro “Templo do Futebol”.

A intenção do jornalista- que escrevia exaustivamente sobre o tema no Jornal dos Sports – era fazer do Brasil, e mais especificamente do Rio de Janeiro, a “capital mundial do futebol”.

Com a Europa ainda se recuperando da guerra, e com o trunfo do Maracanã ser “o maior estádio do mundo”, além dos recordes de arrecadação na Copa do Mundo, sua idéia de formular uma espécie de “Copa do Mundo de Clubes” imediatamente ganhou o apoio dos principais dirigentes do futebol mundial e também da Prefeitura do Rio de Janeiro, que viu a oportunidade da cidade continuar sediando grandes eventos de repercussão internacional após a Copa de 1950.

Como não se sabia quando surgiria algum estádio que pudesse “rivalizar” com o Maracanã – além da ideia ter partido de um jornalista brasileiro -, durante as negociações para a elaboração e formatação do campeonato, a CBD usou tudo isso a seu favor e convenceu os dirigentes da FIFA a lhe concederem autorização para ser uma espécie de “organizadora oficial do mundial de clubes” – não apenas da primeira edição, como era inicialmente esperado -, praticamente lhe garantindo exclusividade nesse tipo de competição enquanto quisesse continuar realizando o evento, que passou a ser previsto em regulamento para ser disputado de dois em dois ou de quatro em quatro anos.

Portanto, enquanto a FIFA focava os seus esforços em melhorias para a sua já consagrada – e agora muito lucrativa – Copa do Mundo de seleções, deixava o mundial de clubes autorizado a ser promovido pela sua “grande parceira”, a CBD – como se fosse um “presente” ou “retribuição” para o Brasil, que colaborou efetivamente para uma mudança de patamar financeiro da entidade máxima do futebol. Inclusive, o fato da FIFA passar a desejar ter uma sede-própria luxuosa tem uma íntima ligação com a Copa realizada no Brasil, que foi um evento sem precedentes para a história financeira da entidade.

Com isso, não pensava-se mais, a partir daquele momento, na possibilidade de se fazer um “rodízio” de sedes, como acontecia no mundial de seleções – embora países como Itália e Inglaterra tenham manifestado publicamente o desejo de sediar futuras edições da competição.

Assim sendo, o plano dos organizadores e demais membros envolvidos passou a considerar que a “capital mundial do futebol” patrocinaria e sediaria todas as edições dos mundiais de clubes – da mesma forma que vimos acontecer anos mais tarde na chamada “Copa Intercontinental”, que foi disputada exclusivamente no Japão, de 1980 a 2004.

Além do Palmeiras (campeão paulista de 1950), o torneio contou com as participações do Estrela Vermelha (campeão da Copa da Iugoslávia, em 1950), do Áustria Viena (campeão austríaco em 1949-50), da Juventus (campeã italiana de 1949-50), do Nacional (campeão uruguaio de 1950), do Nice (campeão francês de 1950-51), do Sporting (hexacampeão português e vencedor da temporada 1950-51) e do Vasco, campeão carioca de 1950.

O Mundial de Clubes ocorreu entre os dias 30 de junho e 22 de julho, e paralisou a disputa dos campeonatos regionais daquele ano, além de campeonatos como o Uruguaio. Os duelos ocorreram no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, e no Maracanã, no Rio de Janeiro. Estrela Vermelha, Juventus, Nice e Palmeiras jogaram na capital paulista, enquanto Áustria Viena, Nacional, Sporting e Vasco atuaram no Rio. As equipes se enfrentaram em turno único dentro de seus respectivos grupos. Os dois melhores colocados de cada chave avançaram às semifinais, e, em seguida, às finais, disputadas em dois jogos cada.

Os jogos do Palmeiras foram:

Essas partidas estão relatadas nos próximos posts.

É chegado o momento das decisões. O espírito alviverde para encarar a Juventus na final era outro. Já a equipe italiana contava com uma infinidade de atletas em nível de seleção, com destaque para os dinamarqueses Karl Hansen, John Hansen e Praest, além do lendário atacante Boniperti, que defendeu a Azzurra por 15 anos e foi algoz palmeirense no primeiro encontro.

Uma “onda palmeirense” invadiu o Rio de Janeiro e lotou o Maracanã naquele 18 de julho. O estádio veio abaixo quando Rodrigues marcou 1 a 0 para o Verdão ainda no primeiro tempo, e o resultado foi mantido até o apito final do árbitro Franz Grill.

O clima de euforia entre os palmeirenses era evidente. Para ser o primeiro campeão do mundo de clubes, bastava um empate diante da Vecchia Signora para soltar o grito. Os caminhos das equipes se cruzaram outra vez no dia 22 de julho, e novamente no Maracanã. Aos gritos de “Brasil, Brasil”, entoados pela massa presente ao estádio, o Verdão viu o rival abrir o placar com Praest, aos 18 minutos da primeira etapa.

A vantagem bianconera persistiu até o final do primeiro tempo. Sem se deixar abalar, o Palmeiras buscou o empate logo no início da etapa final: após boa jogada com Canhotinho, Liminha lançou Lima, que arrematou na trave. Na sobra, o atacante Rodrigues igualou o marcador e levou o Maracanã ao delírio.

A euforia verde no reduto carioca, no entanto, durou apenas 16 minutos. Karl Hansen, aos 18, recolocou a Juventus na frente, e trouxe à tona novamente o clima de apreensão. A esperança palmeirense de título, porém, veio dos pés de Liminha. Aos 32 minutos da etapa final, o meia driblou dois marcadores italianos, chutou sobre o goleiro Viola, pegou o rebote e entrou com bola e tudo no fundo das redes. O estádio veio abaixo com o tento palmeirense, e o apito final do árbitro francês Gabriel Tordjan minutos mais tarde “deu por terminada a peleja” na voz do narrador Oduvaldo Cozzi: o Palmeiras conquistava o mundo pela primeira vez na história do futebol!

A primeira partida:

  • 18/07/1951
  • Mundial de Clubes de 1951 – Final (primeiro jogo)
  • Palmeiras 1×0 Juventus
  • Estádio do Maracanã. Rio de Janeiro-RJ
  • Juiz: Franz Grill (Áustria)
  • Palmeiras: Fábio Crippa; Salvador e Juvenal; Túlio, Luiz Villa e Dema; Lima, Ponce de León, Liminha, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Técnico: Ventura Cambon.
  • Juventus: Viola; Bertucceli e Manente; Mari, Parola e Piccinini; Muccinelli, Karl Hansen, Boniperti, Vivole e Praest. Técnico: Jesse Carver
  • Gols: Rodrigues (20’ do 1ºT)

A segunda partida:

  • 22/07/1951
  • Mundial de Clubes de 1951 – Final (segundo jogo)
  • Juventus 2×2 Palmeiras
  • Estádio do Maracanã. Rio de Janeiro-RJ
  • Juiz: Gabriel Tordjan (França)
  • Palmeiras: Fábio Crippa; Salvador e Juvenal; Túlio, Luiz Villa e Dema; Lima, Ponce de León (Canhotinho), Liminha, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Técnico: Ventura Cambon
  • Juventus: Viola; Bertucceli e Manente; Mari, Parola e Bizzoto; Muccinelli, Karl Hansen, Boniperti, Johan Hansen e Praest. Técnico: Jesse Carver
  • Gols: Praest (18’ do 1ºT), Rodrigues (2’ do 2ºT), Karl Hansen (18’ do 2ºT) e Liminha (32’ do 2ºT)

Adversário do Verdão na semifinal, o Vasco da Gama, líder de seu grupo, atropelou os adversários com três vitórias, sendo duas delas por goleada – 5 a 1 no Sporting, 5 a 1 no Áustria Viena e 2 a 1 no Nacional. Apesar da derrota frente aos vascaínos, os austríacos venceram seus outros dois jogos e também avançaram, para enfrentar a Juventus.

Empolgado pela ótima fase inicial, o Cruz-Maltino recebeu o Palmeiras em um Maracanã lotado. A partida ficou marcada pela contusão de Aquiles, que fraturou a perna em dividida com o goleiro Barbosa, ficando sete meses sem poder atuar. O atacante virou uma espécie de mártir do elenco, que, após o acidente prometeu conquistar o título de qualquer forma. A primeira vítima foi justamente o Vasco, que saiu derrotado por 2 a 1 no primeiro jogo da semifinal, com gols de Richard e Liminha; Maneca descontou. Quatro dias depois, os valentes atletas do Verdão seguraram a base da Seleção Brasileira de 50 e empataram em 0 a 0, também no Maracanã, classificando o Palmeiras para a grande final.

A primeira partida:

  • 11/07/1951
  • Mundial de Clubes de 1951 – Semifinal (primeiro jogo)
  • Palmeiras 2×1 Vasco
  • Estádio do Maracanã. Rio de Janeiro-RJ
  • Juiz: Edward Graigh (Inglaterra)
  • Palmeiras: Fábio Crippa; Salvador e Juvenal; Waldemar Fiúme (Túlio), Luiz Villa e Dema; Liminha, Aquiles (Ponce de León), Richard, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Técnico: Ventura Cambon.
  • Vasco: Barbosa; Augusto e Clarel; Eli, Danilo e Alfredo; Tesourinha, Ipojucan (Vasconcelos), Friaça, Maneca e Djair. Técnico: Oto Glória.
  • Gols: Richard (24’ do 1ºT), Maneca (1’ do 2ºT) e Liminha (37’ do 2ºT)

A segunda partida:

  • 15/07/1951
  • Mundial de Clubes de 1951 – Semifinal (segundo jogo)
  • Vasco 0x0 Palmeiras
  • Estádio do Maracanã. Rio de Janeiro-RJ
  • Juiz: Franz Grill (Áustria)
  • Palmeiras: Fábio Crippa; Salvador e Juvenal; Túlio, Luiz Villa e Dema; Liminha, Ponce de León, Richard (Lima), Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Técnico: Ventura Cambon.
  • Vasco: Barbosa; Augusto e Clarel; Eli, Danilo e Alfredo; Tesourinha, Vasconcelos, Friaça, Maneca e Djair. Técnico: Oto Glória.